Photo by Carli, Dharamsala, Dalai Lama's temple, 2011
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Sunday, February 26, 2012
Saturday, April 11, 2009
Bem-vindo ao meu reality show!
Capítulo 2: “Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei. Pra você correr macio” (Pato Fu)Cheguei para conhecer o trabalho da Escola Clínica Cecília Bellina -Dirija Sem Medo, na filial da Heitor Penteado, cheia de expectativas. Fiquei meio decepcionada no início, pois não foi uma psicóloga que me atendeu na chamada “Entrevista Informativa”, apenas uma moça da própria escola que me explicaria o método, sendo que as informações já estavam contidas no site. Ela falava de uma forma tão pontuada que me senti uma débil mental incapaz de acompanhar a explicação de maneira fluida. Enfim, encarei tudo isso como resistência mental para não seguir adiante. Parei de olhar também para a saia cinza dela até os joelhos com uma renda bege que definitivamente não combinava. Talvez sem a renda? Céus, essa mente cheeky monkey é terrível às vezes.
O tratamento consiste em terapia de grupo por duas horas e mais 50 minutos de aula prática de direção por semana. São quatro etapas que vão desde reaprendizagem dos comandos do carro até a efetiva liberdade de sair sozinha por aí, por qualquer lugar. Tudo acompanhado por psicólogo e assistente de direção mega pacientes e, principalmente, respeitando o grau de evolução do "paciente". Disseram que apesar de algumas pessoas levarem dois anos (ou mais) para superar eventuais traumas e conseguir dirigir, a média do tratamento varia entre seis e oito meses. O grau de complexidade vai aumentando aos poucos, inclusive encarar Radial Leste na hora do rush, trocar de pistas, fazer baliza em morro... (ela continuou explicando, mas a minha mente se petrificou em Radial Leste, Radial Leste, Radial Leste, pois, convenhamos, tudo o que não eu gostaria de fazer na vida é encarar a Radial Leste). Talvez se eles focassem mais as maravilhas de sair a 110 km por hora pela estrada rumo à Paraty...
Entendido o método, ela perguntou se tinha alguma pergunta.
- Quanto custa? (Óbvio). São R$ 415,00 por mês, mais R$ 170 pela entrevista inicial com a psicóloga.
- Há turmas na quarta-feira à noite? Não, pelo menos no centro ao lado de casa. Daí teria ainda que me descolar para a Vila Mariana.
Saí reflexiva e um pouco decepcionada por não ter aproveitado o ano passado para me dedicar a essa missão. Quarta é a minha única noite livre para descansar, ou estudar para os diversos cursos que estou fazendo, ou encontrar os amigos. Com agenda tão apertada, seria uma loucura propor dedicação a mais essa iniciativa, pelo menos no primeiro semestre.
Conclusão: volto a pensar em um tratamento estruturado a partir do segundo semestre. Por enquanto, vou tentar aproveitar a boa vontade dos amigos chuchuzinhos para aos finais de semana treinar um pouco em ruas mais desertas.
Devagar, e sempre.
Acompanhe o capítulo anterior da saga.
Sunday, March 29, 2009
Bem-vindo ao meu reality show!
Capítulo 1: A decisão, enfim, de querer mudar (será?)
Quem me conhece, ou pelo menos os mais chegados, certamente já ouviu a minha célebre promessa: este ano eu aprendo a dirigir! Quando percebo, eis que surge o 31 de dezembro novamente, me lembrando que nada de muito sólido fiz para perder esse medo de direção. Foi assim no último reveillon, e no anterior, e no anterior e...
Virei especialista deste medo. Já explorei todos os porquês e os padrões mentais que me fazem suar e ter baixa pressão ao sentar na posição do motorista. As pessoas queridas que já perdi em acidentes de carro, os sustos que também levei estando dentro de veículos , o perfeccionismo, o medo de perder o controle, blablabla. Tantas vezes já me senti idiota por não me sentir capaz. Já me culpei, já culpei o trânsito louco de São Paulo, a galera má educada na direção e tantos outros aspectos foram condenados por me afastar desse prazer que é sair pelo mundo conduzindo uma road trip. Ah, sim, também ouvi milhares de conselhos e depoimentos de quem chegou lá, embora nunca foram suficientes para despertar a minha curiosidade/vontade/necessidade de sair desta inércia.
Quem me conhece, ou pelo menos os mais chegados, certamente já ouviu a minha célebre promessa: este ano eu aprendo a dirigir! Quando percebo, eis que surge o 31 de dezembro novamente, me lembrando que nada de muito sólido fiz para perder esse medo de direção. Foi assim no último reveillon, e no anterior, e no anterior e...
Virei especialista deste medo. Já explorei todos os porquês e os padrões mentais que me fazem suar e ter baixa pressão ao sentar na posição do motorista. As pessoas queridas que já perdi em acidentes de carro, os sustos que também levei estando dentro de veículos , o perfeccionismo, o medo de perder o controle, blablabla. Tantas vezes já me senti idiota por não me sentir capaz. Já me culpei, já culpei o trânsito louco de São Paulo, a galera má educada na direção e tantos outros aspectos foram condenados por me afastar desse prazer que é sair pelo mundo conduzindo uma road trip. Ah, sim, também ouvi milhares de conselhos e depoimentos de quem chegou lá, embora nunca foram suficientes para despertar a minha curiosidade/vontade/necessidade de sair desta inércia.
Sinto que chegou o momento de trocar o conhecido (e insosso) sabor do medo pelo temperado desafio. Não que esteja cansada de transporte público, pois além de ser mega sustentável, posso caminhar muito e observar a cidade e as pessoas. Pretendo continuar me virando de metrô, de ônibus, de caronas solidárias, de táxi, mas também quero ter a opção de dirigir, se tiver vontade.
Nesta terça, visitarei uma "clínica escola" especializada em pessoas complicadas como eu. Wish me luck.
Foto: retrovisor emprestado deste blog.
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