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Friday, April 27, 2007

Memórias em azulejos

- Um sorvete de Bacuri e outro de coco, ambos no copinho, por favor.

- Pois não - respondeu o vendedor ambulante, um simpático senhor de cabelos brancos e chapéu azul surrado do sol, às margens da BR 135. Mal tinha aberto o isopor, quando encostou o ônibus que aguardava. Engano meu achar que a venda estava comprometida. Gentilmente, o motorista esperou mais de dois minutos para a entrega do sorvete e, após o senhor ter subido no coletivo, ainda deu um sorrisinho de despedida. A simplicidade dos moradores de Sao Luís, a bela ilha do Maranhão, marca e, por que não dizer, comove. É fácil ter aquele sentimento gostoso de “estar em casa”, como Floripa.

O mar dá braçadas na terra, moldando grandes entradas, pequenas baías e recortando as beiradas com muitas curvas. Pontes interligam tudo isso, inclusive o centro histórico (cidade velha) com a expansão mais moderna da arquitetura. Na bagagem da memória, trago as xilogravuras do artista Airton Marinho, retratando em fortes cores os personagens do boi-bumbá, o tambor de crioulas, o batuque das quebradeiras do coco do babacu, a lenda da serpente. Ah, a serpente-dragão! Aquela que mitologicamente dorme eternamente envolvendo a ilha, e que permaneça assim, pois acredita-se que seu despertar seja furioso, dragando toda a cidade para baixo do Atlântico.


Não totalmente dorminhoco, embora muito preguiçoso, amanheceu o sábado de feriado de Tiradentes na capital maranhense, com torós de estação chuvosa, que por sorte deu uma pequena trégua. Aproveito para caminhar pelas ruas centenárias com pedras originais da época da fundação pelos franceses, em 1612. Os detalhes históricos devo a minha recente amiga, Flávia Mochel, companheira do super Magnólio, de Santarém. Com a Flávia, conheci o mercadinho do Seu Loureiro, onde desgustei geléia de pimenta, licor de bacuri, de canela e de cupuaçu; comprei castanha de caju fresquinha e uns doces típicos de Alcântara, cuja receita pertence aos escravos, que misturavam o coco com açúcar e pouca farinha e assavam na brasa, acabando por ressaltar ainda mais o sabor do coco ralado. Tem que experimentar!




O que não desce redondo é o Guaraná Jesus, cor de rosa por conta da canela e um gosto de xarope infantil enjoado. Os maranhenses discordam da minha opinião e consomem mais esse refrigerante do que a Coca-Cola! Best seller estadual, quem diria. Na foto, Willia dá uma de garota propaganda, sem me convencer...
Olha só como vem a casquinha de siri, em uma tigelinha de vidro e com uma camada de farinha por cima. Hmmmm
Luiz e Merciane
A garrafa roxa é pinga feita de mandioca e a de caranguejo, claaaaro, dizem que é afrodisíaca ;)

Terei que voltar para experimentar arroz com cuxá (folha verde), no entanto. Foram dias corridos por conta do trabalho na Alumar. Na semana que passou convivi de perto com uma impressionante obra de expansão de uma refinaria de alumina (da cadeia produtiva do alumínio) a fim de escrever um Perfil Socioambiental. Foi uma das melhores viagens a trabalho que tive, e devo isso aos funcionários que trabalham por lá, de um astral imenso... Luiz (e sua namorada Merciane), Willia, Graça ....

Marcado na agenda das próximas viagens: Lençóis Maranhenses e Alcântara!