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Toda a constituição do meu espírito é feito de hesitação e de dúvida.
Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em meu redor, e eu com elas, uma incerteza para mim próprio. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo é significado. Todas as coisas são 'desconhecidos' simbólicos do Desconhecido. O resultado é horror, mistério, um medo demasiado inteligente." Fernando Pessoa,
1908
Visitei ontem o Museu da Língua Portuguesa, que abriga uma exposição muito bonita sobre a vida e obra do poeta e escritor Fernando Pessoa. Domingo combina mais com poesia do que qualquer outro dia da semana. Quando cheguei e vi A fila para entrar, concluí que muitos também pensam assim. Os 30 minutos de ventania aguardando, porém, não me desanimaram. Foi uma delícia percorrer os corredores e vivenciar os trechos dos poemas nas paredes, pelos espelhos, escritos na areia, combinados com vídeos. Caderninho na mão para anotar os que mais saltam na alma, como esse aí de cima.
O museu também oferece, como atração permanente, uma sessão de vídeo sobre o surgimento de nossa língua materna, e uma série de projeções em que os participantes ficam sentados em uma roda, completamente envolvidos nas luzes e nos poemas falados, cantados, sussurrados. É MUITO bacana.
Pensamos em português, sentimos em português, sonhamos em português, de uma forma coletiva; a mais genuína conexão e pertencimento como povo.
Quem tem a oportunidade de namorar ou casar com um estrangeiro, sabe bem o jogo de cintura para contornar as sutilezas inerentes à própria língua e cultura. A gente até encontra formas criativas de dizer o quanto se ama, com beicinho, mimos e tal. Mas na hora de brigar... no fervor crucial e escaldante do momento, ah, meu bem, que graça tem discutir em inglês, francês ou japonês?