Sunday, November 02, 2008

Curiosidades deste vasto mundo

Saiu no terra.com, com imagem da agência AP:


"Austrália - Pessoas vistam a "flor-cadáver" no Jardim Botânico Real de Sydney. A rara espécie só é encontrada nas florestas da Indonésia e desabrocha a cada dois anos ou três anos, podendo atingir até 1,5 m. Segundo visitantes, a flor tem cheiro de 'carne podre'."

E não é que eu encontrei essa flor fúnebre para ilustrar o Dia dos Finados!

De forma simbólica, o dia de hoje pode certamente nos abrir para vários sentimentos positivos e outros bem angustiantes. Relembro as pessoas queridas que conheci e que já morreram, causando um conflito interno tão desafiador que é o de aceitar a finitude da vida, além de deixar uma saudade doída e que nos primeiros momentos chega a ser desesperadora. Há de surgir então a compaixão por todos os seres, principalmente por nós mesmos, que já enfrentaram ou vão enfrentar experiências de morte e de muita dor.

Diante disto tudo, qualquer briga de chefe, romance inacabado, perda de emprego, horas emperradas no trânsito perdem total importância. Ou deveriam perder.

Na semana que passou, um colega me perguntou se eu cheguei a ter algum atrito ou trauma de um certo emprego que tive no passado. Ao qual simplesmente respondi: "Eu não ganhava o suficiente para me estressar". Essa forma de pensar continua e (óbvio) não se refere apenas à dinheiro. É conseguir enxergar com mais horizonte e perceber a prioridade das coisas e dos acontecimentos diante dessa benção que é viver. Ainda que impossibilitada de saber se estarei viva amanhã.

Vela acesa
Minha família segue o costume de enfeitar com belas flores os túmulos dos entes como forma de homenageá-los. Quando criança, ficava fascinada com essa semana que antecedia o Finados, observando todas as pessoas montando arranjos e buquês divinos (o povo bruxxxxquense capricha!). Parecia até competição entre as famílias. E a mãe comandava as ordens: "Line, pega o balde e traz mais água. Kelly, vê se eu não esqueci a faquinha dentro do carro. Cinthia, avisa lá o pai (que provavelmente estava de papo com algum marido de outra família hehehe) que a gente acaba em 15 minutos". Encarava o Dia dos Finados como um verdadeiro festival. Com o túmulo da vó e do vô enfeitado, permanecíamos alguns minutos em silêncio orando e reconhecendo a presença deles em nossas vidas. Depois seguíamos em peregrinação para ver os túmulos dos tios, primos, vizinhos.

Liguei para a mãe, ontem, e o ritual continua, claro. Ontem "visitaram" os túmulos em Brusque e hoje irão para Nova Trento para "ver" os dos familiares por parte do pai.

Quando estava no Pará, conheci uma família que acendia uma vela para cada finado e ficavam, em conjunto, observando o tremular das chamas. Outro gesto simbólico muito bonito.

Farei isso também a fim de relembrar quão especiais eram os momentos compartilhados com o primo Gerson, minha amiga de adolescência Helena, vó Paulina, "nona" Tereza, tio Virgílio, tio Arno...

2 comments:

Poivrier said...

Hola Carli,

Foi bem interessante ler os relatos sobre o costume de sua família, e da família do Pará no dia de finados.

Raramente paro e penso na morte, mas quando acontece tento atribuir importância às coisas realmente relevantes e simples desta vida.

Aproveito para mencionar o quanto a prática tem sido importante para mim. Reflexões e reflexões.

Namastê,

Beijo grande.

Carline :) said...

Espero que a sua "última semana" esteja sendo especial. Beijos no coração, querida!