Thursday, November 09, 2006


"A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou faze-la por nós" Marcel Proust Posted by Picasa

Tímidas, as crianças ribeirinhas costumam colocar os dedos na boca e rir um sorriso oculto. Doces sutilezas.

Câmbio final

"Atento comunidades do Tapajós. PSA (Projeto Saúde e Alegria) chamando. PSA chamando. Começa agora a rádio conferência sobre o programa SuperAção Jovem. Jamaraquá na escuta? Prossiga!"

Dia de trabalho no PSA: Elis (a Miss Câmbia), Danni, Raquel e eu no esforço conjunto para entender as mensagens através do rádio amador, com MUITO chiado. Em muitas comunidades, esta é a única forma de comunicação e, em caso de emergência médica, agiliza o envio da "ambulancha". Neste dia, o objetivo era empolgar os jovens s a participarem do próximo encontro do SuperAção, no final do mês. Este programa é uma parceria do PSA com o Instituto Ayrton Senna e visa incentivar os jovens a trabalharem juntos a fim de solucionar os problemas locais. Com isso, também acabam se desenvolvendo como cidadãos, profissionais e seres humanos. Namastê!

Wednesday, November 08, 2006

Saudades da estrelinha do mar


- Tem arraia?
- Tem, sim senhora.
- E como se faz pra tomar banho no rio, então?
- Vai pisando devagarinho e batendo palmas na água pra afugentar.
- Pfff ... Isso aí não adianta, dona. Dizem até que arraia é meio surda!
- Bom, alguém me avisou que durante o dia não tem problema, pois elas aparecem mais à noitinha. É isso?
- Mas quando! Meu amigo levou uma ferroada no dedão que abriu um buracão que só vendo. E era dia de sol bem forte, que nem hoje.
- E o tal arrastando o pé no lodo do rio para a arraia sair correndo?
- Olha, nem sempre funciona. Meu primo que é pescador foi nessas e scheleft! Quase perdeu a perna depois que gangrenou a ferida.
- O jeito, moça, é contar mesmo com a sorte. E nadar sem encostar os pés no chão.Posted by Picasa

Foto: minha pernona (não reconheceu, meu bem?) mostrando as águas claras do Rio Arapiuns, na praia de Ponta Grande. Infelizmente, com muitas arraias, mas com a sorte ao me lado.

Respire


"We are always in a hurry,
we run, we run, we run,
in order to be able to do as many things as possible:
to achieve, to become, to obtain.
To run is a sympton of fear,
to run after something, after somebody.
We are slaves not only to others, but to ourselves,
to our ideas, to our ambitions, to our projects, and even to our mental projections.
This is a miserable attitude that life does not deserve.
The slave runs, but the king keeps quiet and remains still in his place"
(sabedoria budista)

->A foto é de Cachoeira do Aruã, ParáPosted by Picasa

Tuesday, November 07, 2006

Mande notícias do mundo de lá!


(O palhaço é o símbolo do Saúde e Alegria, onde estou aprendendo a arte de ser educomunicadora. Obrigada Magnólio, Maria do Carmo, Fabinho, Danny, Raquel, Elis e todos os meus novos e bons amigos) Posted by Picasa

Diz quem fica Posted by Picasa

Me de um abraco, venha me apertar, to chegando Posted by Picasa

Coisa que gosto eh poder partir sem ter planos Posted by Picasa

Melhor ainda eh poder voltar quando quero Posted by Picasa

Todos os dias eh um vai-e-vem Posted by Picasa

A vida se repete na estacao Posted by Picasa

Tem gente que chega pra ficar Posted by Picasa

Tem gente que vai pra nunca mais Posted by Picasa

Tem gente que vem e quer voltar Posted by Picasa

Tem gente que vai e quer ficar Posted by Picasa

Tem gente que veio soh olhar Posted by Picasa

Tem gente a sorrir e a chorar Posted by Picasa

E assim chegar e partir Posted by Picasa

Sao soh dois lados da mesma viagem Posted by Picasa

O trem que chega eh o mesmo trem da partida Posted by Picasa

A hora do encontro eh tambem despedida Posted by Picasa

A plataforma dessa estacao Posted by Picasa

Eh a vida desse meu lugar Posted by Picasa

Eh a vida desse meu lugar Posted by Picasa

Eh a vida Posted by Picasa

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Curioso
Começou o horário de verão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas não aqui (nem no Nordeste). A vida continua duas horas antes do tempo de Brasília. Isso mesmo. O Jornal Nacional começa às 6 em vez das 8. Não que eu pare para assistir.

Mico básico
Primeira ida ao supermercado: o quê?????? O litro de Ades Original por R$ 5,50?! Come on! Estamos no berço da soja! É claro que eu cheguei no caixa sem pesar o melão. Tem que pesar é, moço?

Deu nas páginas policiais
Moradores de Santarém tentaram salvar um recém-nascido que estava sendo brutalmente comido por urubus, após ter sido jogado no lixo pela mãe. Foi levado ao hospital, mas não resistiu às picadas e acabou sendo enterrado como indigente. O caso chocou a sociedade mocoronga.

Uma visita inesperada!
Quem eu encontro na sede do Saúde e Alegria esta manhã? O Maurício (!!!), coordenador de Desenvolvimento Sustentável da Alcoa, em Sampa. Na Report, eu trabalhei nos dois últimos relatórios da companhia de alumínio e falava muito com ele. A Alcoa está negociando uma parceria com a ONG para implantar as ações nas comunidades do entorno de Juruti, no Pará, onde está abrindo uma mina de bauxita bem no coração da Amazônia. Engraçado ver um conhecido por aqui. Que venham parcerias sustentáveis! E que elas não fiquem só no discurso. (Amém)

Chegada do Lucas Alexandre
A Alessandra, minha amigona de Lages, escreveu dizendo que está no sétimo mês de gestação! Até recomendou eu ter o primeiro filho logo. Sei, sei...

E-mail
De: Dannyelle Silva Santos (jovem de 19 anos, da comunidade Cachoeira do Aruã)
Enviado: sábado, 28 de outubro de 2006
Para: carlinebrasil@hotmail.com
Assunto: olá ! carline

"carline eu quero agradeser a você QUE ESTOU muito feliz . De você de pacencia de me emcina a eternete. agradeço muito a você. UM ABRAÇO AVOCê. Danny"

O prazer é todo meu, Dannyelle ;) Keep on learning

Sunday, November 05, 2006


Sem mostrar a língua, Elianderson! Posted by Picasa
"Solitary brother
Is there still a part of you that wants to live?
Solitary sister
Is there still a part of you that wants to give?
If we try
And live our lives
The way we wanna be
Yeah!"

Ouvindo música do Seal, deitada na rede em Alter do Chão. Pouco depois, chega o lagarto amigo para comer as goiabas maduras caídas no chão. Batizo ele de Elianderson, tipicamente local. Ao entrar na cozinha para beber água, abro a parte do armário de-va-gar para não assustar tanto a aranha Geralcina, que corre apavorada de um canto escondido ao outro. Penso que as telas mosqueteiras que revestem as janelas servem mais aprisionar a bicharada dentro de casa do que efetivamente repelir a entrada.

Até agora não vi nenhum animal selvagem ou exótico, mesmo nas viagens de barco. Estou tendo que aprender a conviver apenas com uma imensa variedade de formiguinhas e formigões (que estão por tudo e picam sem misericórdia), baratinhas e baratonas (ui), aranhas e aranhonas, mosquitinhos chatos que pousam na pele (sabe aqueles que vivem na banana?), mariposas, "bruxas", barejeiras, morcegos, zangões, maribondos amarelos, grilos e calangos, muitos calangos! Vi um, inclusive, com tonalidades berrantes de azul turquesa, roxo e verde. E eu que pensava que eram todos marrons. A bióloga Andrian contou que, na infância, costumavam competir para ver quem capturava o calango mais colorido. E esfregavam vaga-lumes na roupa para brilhar no escuro.

Quem já colocou sal em sapo levante a mão!

Friday, November 03, 2006

Desenterrando o morto-vivo

Não, não falo sobre Finados. É sobre as brincadeiras que a gente resgata do túnel do tempo na hora de brincar com a criançada. Em Alto Aruã, estava nadando e conhecendo um igarapé com no mínimo uns 20 moleques atrás, me olhando fixamente. Parecia uma "revoada" de gente, como pássaros que se movem em bando pra lá e pra cá.
- Quem quer brincar de morto-vivo?
- Eeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu (sendo que muitos nem sabiam as regras).
E lá comecei: Morto (todo mundo se abaixa), Vivo! (Levanta). Morto. Morto. Viv...Morto (A-há te peguei!). Sacudo a poeira da minha infância. Como é bom brincar disso!

Vocês lembram da musiquinha "Toda vez que chego em casa a barata da vizinha tá na minha cama? Toda vez que chego em casa a barata da vizinha tá na minha cama. Diz aí Camilinha o que cê vai fazer? Eu vou pegar um remo pra me defender. Diz aí Camilinha o que cê vai fazer? Eu vou pegar um remo pra me defender. Ela vai dar uma remada na barata dela, ela vai dar uma remada na barata dela..." :)

Para terminar, a canção que costumamos ensinar na chegada às comunidades:
"Bom dia começa com alegria
Bom dia começa com amor
O sol a brilhar
Os pássaros a cantar
Bom dia, bom dia, bom dia!"

É assim que me sinto nesta sexta, pós feriado comendo tucunaré (peixe) com molho de tucupi (vem da mandioca) e brincando com os filhos da Marian na Ilha do Amor, em Alter do Chão. Bom dia, bom dia, bom dia!