Saturday, November 14, 2009

Certificação em Iyengar Yoga

Já vou avisando: este assunto é polêmico dentro da comunidade yogue.

Tal como as faixas coloridas do karatê, que anunciam (consagram?) os praticantes mais avançados, temos um sistema dentro do método Iyengar, com provas periódicas para mudar de categoria: Introdutório I, Introdutório II, Júnior 1 etc etc.

Muita gente é ab-so-lu-ta-men-te contra, dizendo que isso nem de longe faz parte do yoga, e que não é capaz de avaliar se alguém é bom professor ou até bom praticante, já que o habitual clima tenso de provas derruba até experts em parivrtta ardha chandrasana. Outros, no entanto, consideram-se estimulados pela competência saudável em busca de perfeição, tanto da arte de ensinar quanto da própria prática.

Enfim, em vez de ficar julgando previamente ou pegando carona em comentários alheiros, resolvi participar como voluntária dessas provas, a fim de conhecer de perto e por meio dos meus filtros subjetivos. Explico: quem está prestando o exame precisa de “alunos” para demonstrar a postura e corrigi-los, se necessário.

Ao todo, devem ser ensinados três asanas, com tempo máximo de cinco minutos para cada postura. Primeiramente, o professor que está sendo avaliado demonstra o asana em silêncio, depois explica com palavras, pontuando os pontos principais que devem ser observados e, por último, convida os alunos voluntários a praticarem.

Passei o dia nessa função de aluna e aprendi bastante sobre refinamento dos asanas, principalmente salamba sarvangasana e halasana, que acabei repetindo muitas vezes (todos os candidatos na prova precisam ensinar essas posturas). Também observei o potencial de crescimento da minha própria prática, ao ver colegas tão dedicados, com movimentos super harmônicos e alinhados. Lindo!

Só não consigo trocar o legging por aquelas “bombachinhas” (shorts) Iyengar. Parece uma mini variação gaúcha, que me faz parecer ridícula. Brincaram comigo que é um bom exercício para diminuir a força do ego. Sei, não.

Ainda não tenho opinião formada sobre o lance das certificações. Amanhã continuarei a minha participação como voluntária e veremos...

2 comments:

playlife said...

Boa tarde : )
Acho este tema interessante. A avaliação feita desta forma, na minha opinião, tem vantagens e desvantagens.
Se, por um lado, permite um maior trabalho de refinamento e evolução técnica, pode facilmente colocar em causa o mais básico da filosofia do yoga. Não é o aspecto exterior das posições que mais interessa e pode também não interessar a competição gerada, quando o yoga é um caminho pessoal e único.
Um praticante da categoria 'Introdutório I' ao executar uma postura aparentemente menos bem feita, pode estar a fazer uma melhor prática de yoga (em toda a acepção da palavra) do que um contorcionista do circo que até faz muito bem um asana difícil sem grande esforço enquanto vê televisão, e que vai ser certificado com o nível máximo.


Penso que as avaliações e as sessões de aprimoramento técnico são positivas, se se fizer passar a mensagem de que a técnica perfeita em busca de um ideal apenas estético não é o mais importante e pode distorcer. E ao classificar os alunos, certificá-los da sua 'boa técnica' em vez do seu 'bom yoga', alertando para o perigo da competição gerada poder apressar e levar os alunos a esquecerem e desrespeitarem os limites do seu corpo, na ânsia de serem 'tão bons' como o colega.
Talvez um indicador mais fiável de 'bom yoga' fosse a frequência cardíaca eheh
Tomo a liberdade de deixar link para site de yoga em português :)
http://www.yogofilos.com/blog.html
http://www.yogofilos.com

Carline :) said...

Olá! Obrigada pelos seus comentários, bem pertinentes. Vou olhar os sites indicados e responder assim que conseguir um tempinho na vida cheia de atividades. Beijo, boa semana!