Tuesday, July 28, 2009

Me leve até o fim, Me leve até o fim...

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções

Um acúmulo de passado foi para a reciclagem. A mãe pediu para eu rever uma caixa repleta de papeis antigos e outros tantos objetos guardados desde a época que tinha espinhas (muitas!) no rosto. Tarde chuvosa, um melódico Luiz Melodia baixinho e uma boa dose de curiosidade: mãos à obra!
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons

Pilhas de xerox de leituras para a UFSC, os primeiros textos que da-ti-lo-gra-fei para a disciplina “Técnicas de reportagem” (puxa, é mesmo, cada mesinha tinha uma máquina de escrever), bilhetes, cartinhas, papeis de carta com juras de amor, mensagens imbecilmente adolescentes (na minha opinião atual, claro), recados de “te adooooorooooo” para as amigas, livros que não serão mais vistos nesta encarnação porque as afinidades mudaram. Bastante.
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons

Após três horas, a caixa transformou-se em duas pilhas: doação e reciclagem. Um verdadeiro afago à minha fase de descontrução. Feng Shui para a alma (hmmm bom tema para um livro de autoajuda). Ainda encontrei perdidos por aí uns bichinhos de pelúcia, sobreviventes desbotados de amores distantes.
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Um desses objetos, entretanto, me chamou a atenção. Quando morava em Floripa, a Juli me deu uma “bruxa de desejos”, que levava no entorno do pescoço uma espécie de receptáculo para guardar um mega e poderoso pedido para a prosperidade. AHH, mas isso vale a pena ser lido! Com a ajuda de uma pinça, resgatei o papelzinho verde.
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação

O que teria eu escrito há tanto tempo?! Virar uma jornalista famosa? Me aventurar ao redor do mundo mochilando? Buscava eu fama? Dinheiro? Ambos?! (Melhor pensar grande, não?).

(Silêncio)...

HÃ?!!!

Único comentário possível: quem nunca teve uma embriagante paixão na juventude, que atire a primeira pedra!
Únicas atitudes possíveis: 1) demitir a tal bruxa, por serviços mal prestados. Afinal, se todas as vindas tivessem sido “maravilhosas”, convenhamos que ainda estaria namorando o dito cujo, não?
2) Renovar e atualizar o anseio:
Que o recomeço de mim mesma, em toda a minha plenitude, seja diário.
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação

Apesar do frio úmido do inverno catarinense, as janelas de casa estavam abertas “para arejar”. Eita mania de querer arejar tudo, enfrentada com três blusas de lã, gorro, cachecol e queixo batendo, mesmo no interior dos ambientes. De qualquer forma, nessa semana que passei por lá, encontrei a tradução prática do ditado chuchuzinho “Home is where the mom is” (O Lar é onde a mãe está): panelada de pinhão cozido, bolo de cenoura, toalhas aquecidas para se enxugar após o banho, pudim de leite, cafuné nas costas para acordar (crec-crec, Cinthia!), cuque de miriam, nhoque de batata, muitas sessões de café Melitta e bençãos maternas e paternas de proteção.
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões


Revival total de pliês e jetés. Coincidentemente, eu e Kelly resolvemos visitar Joinville durante o Festival de Dança. Os ingressos já estavam esgotados para ver a mostra competitiva, por isso acompanhamos apenas as apresentações espalhadas pelos palcos da cidade. Cilene, adivinha se não de MUITA vontade de voltar a fazer dança? Será que tenho ainda idade para isso? Porque t-e-m-p-o eu definitivamente não tenho!

Adorei ter visitado a Janine, amigona de formação de Iyengar, e ter compartilhado inúmeras sessões de chimarrão. Trouxe até erva-mate especial, bem amarga. E quem diria que a chuva daria uma trégua! Rolou um dia lindo no sábado. Aproveitamos para ver Joinville lá do alto.
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão

Já com a Gabi, outra amiga do yoga, conhecemos a chopperia Expresso, noite animada com show da banda El Niño, do surfista catarinense Teco Padaratz. Gente, temos um Jack Johnson manezinho!
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:

Me leve até o fim

Após dois dias na maior cidade do estado, visitamos pela primeira vez São Francisco do Sul, a mais antiga de Santa Catarina.

Me leve até o fim

Samba de raízes no Mercado Municipal, almoço gostoso no restaurante “Virado no Alho”, caminhadas no trapiche e o inesquecível Museu Nacional do Mar que, de tão TOSCO, nos fez até chorar de tantas risadas. O interessante mesmo é o barco usado por Amyr Klink naquela travessia a remo de 100 dias entre África e Brasil. A aventura rendeu um livro bacana, que recomendo e tenho para emprestar.
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções

Voltar para a terra natal é ter a oportunidade de rever amigas queridas, como a Naomi, Mariane (a-mei os presentes!!!) e Gedria, chegar saltitante pedindo para a tia Norma fritar banana para comer com canela no pão, dançar com a banda Tempestade em Balneário Camboriu, dar um beijo na Dona Rute, sempre sentadinha na beirada da janela da cozinha, fumando o seu cigarro e contando histórias singelas de 86 anos de vida.
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

Na bagagem de volta para Sampa, trago tudo isso, absolutamente emocionada.

Mesmo porque estou falando grego, com sua imaginação...

(Choro Bandido, by Chico Buarque. Fotos by Carline)

7 comments:

dani, a barbara said...

lindo o seu pedido. aliás só mostra quem você realmente é, pensando nos outros primeiro. fiquei emocionada.
A natureza agradece a reciclagem das coisas e o coração também.
beijos amiguinha

dani, a barbara said...

esqueci de dizer que não respondi ao seu desafio, mas estou fazendo algumas lições de casa antes de responder. bjs

Poivrier said...

Ô de casa!
Boas histórias de férias, Carli!
Vez em quando, faço esse tipo de reciclagem também. Quando adolescente eu fazia "agenda", quantas histórias lidas de novo antes do 'adeus' derradeiro...

Ótimo ter notícias tuas!
Sei que você deve estar megamaxihipersuper busy, mas recebeu meu e-mail?

Beijo Grande!

Anonymous said...

hmmm, chorei de saudades lendo todos os momentos bons em SC... saudade, saudade!! beijo grande da Ci

Cilene said...

Flower,

Óbvio que ficou com vontade de se jogar em aulas com muitos saltos, corridas e paradas. Mas a falta de tempo, às vezes, é uma boa! hahaha

beijocas

Ci

Carline :) said...

Dani: falta pouco para o término do desafio, você consegue! Aliás, a falta de organização é geral entre nós, hein!
Si: tô praticando na Macaca de manhã, na turma avançada. Que tal irmos juntas neste sábado, às 9h30? É nível "geral" e a professora, ótima (Karina)
Írma: te amamos muito, viu?
Cilenita: Pelo menos uma aulinha experimental na "Pulsarte - arte em movimento", aqui do lado de casa. Uhu!

Anonymous said...

Ahhhhhhhhhhhh, eu queria ter visto mais coisas dessas caixas... Aposto como tinha varios daqueles papeizinhos que a gente trocava durante as aulas da facul, antes de inventarem o messenger... hehhehe
E acho que o teu pedido funcionou sim!!! Afinal de contas, tu nao pedisses pra que todas as vindas fossem maravilhosas, mas sim uma unica e singela vinda! hehehe Tudo isso pra dizer que o que importa é que naquela epoca ja pensavas em viver ao maximo cada momento. :)))
Beijo no coracao,
Carol - vivendo entre um momento passado e o futuro
P.S. MOOOOOORTE AO FELIPEEEEEEEE