De longe, avistei essa fumaça, rodeada por mulheres de uma mesma família. Era mais uma das cenas indianas em que o cheiro despertava a atenção antes do colorido dos sáris ou o belo formato dos olhos.
Fazia muito frio naquela manhã de dezembro em Kushinagar, uma pequena cidade que entrou historicamente no mapa por ser o local de morte de Buddha Shakyamuni. Eu continuava firme (embora já não muito forte) na minha peregrinação aos locais sagrados budistas. O estômago e a alma reclamavam de tanta falta de infraestrutura para receber os visitantes. Não tinha conseguido dormir direito e a amiga Marianne havia anunciado que era pobreza demais para encarar e que iria voltar para Holanda o mais rápido possível. Realmente, o estado de Bihar, ao norte, é o mais miserável do país.
Resolvi fazer uma caminhada derradeira antes de seguir viagem e encontrei esse grupo, que apesar de não falar inglês, me recebeu com muita simpatia. Para se esquentar do frio, elas montaram uma fogueira com um "combustível" muito utilizado na Índia: cocô de vaca. O cheiro era péssimo. O calorzinho, bem-vindo. Ajudou a derreter as minhas reclamações momentâneas.
O vermelho na testa da menina vestida de marrom anunciava que ela era casada. Mas, já? Que futuro teria aquele sorriso? Conseguiria ser longe daquela fogueira que deve acolher gerações e mais gerações?
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Penso no filme recém-lançado de Mara Mourão, "Quem se importa" (Who cares?!), que acabo de assistir. É um alívio poder dormir embalada pelas experiências inspiradoras de empreendedorismo social, que estão de fato transformando a vida das pessoas. Sinto que preciso contribuir mais para este mundo.
E já que toquei no tema cocô, compartilho um vídeo de 40 segunditos que fiz durante um passeio de bicicleta por vilarejos rurais de Bodh Gaya (a Marianne ainda não tinha desistido ha ha ha).
A indiana pega o estrume misturado com argila e joga em forma de montinhos para secar ao sol. Sabe o que isso também vira? Paredes de residências - bem ecológicas.
A cidade de Dharamsala, ao norte da Índia, é conhecida por abrigar a maior comunidade de refugiados tibetanos. Também é sede do governo de Dalai Lama no exílio. Foi onde escolhi passar o meu último aniversário. Dentre monges, montanhas do Himalaia, yoga e silêncio, testemunhei ainda a campanha contra a repressão chinesa e as violações de direitos humanos. Esta fotografia tirei na Temple Road, que liga a praça de entrada da cidade até o templo principal.
Apesar de a filosofia budista enfatizar a preciosidade da vida humana, condenando o suicício e outras formas de matança, cresce o número de protestos em que as pessoas queimam os seus próprios corpos. Outra religião que passou a valorizar "mártires" desse tipo, infelizmente. O pior é pensar que não deve render muitos avanços em relação à China. Em matéria publicada pelo New York Times, observa-se o aumento na rigidez e na repressão.
O "Free Tibet" tornou-se uma campanha utópica demais. A probabilidade de o território voltar a ser livre é praticamente nula. Em vez de Liberdade, poderíamos clamar por Dignidade, justiça social e tolerância cultural e espiritual aos tibetanos.
"China endurece repressão e tibetanos protestam com fogo Por Andrew Jacobs
MAQU, China — A paixão de Tsering Kyi por aprender parece ter-se transformado em desespero, quando uma escola na Província de Gansu, perto do Tibete, mudou sua língua de ensino do tibetano para o chinês, o que provocou protestos em toda a estepe. Em 3 de março, Tsering Kyi, 20, saiu de um banheiro público em um mercado de produtos agrícolas da cidade, com seu corpo magro envolto em cobertores embebidos em gasolina, disseram parentes e moradores locais.
Em um instante, ela estava em chamas, com o punho erguido em desafio, antes de cair no chão. Ela morreu no local. Durante o último ano, 29 tibetanos, 7 deles nas últimas semanas, escolheram a autoimolação em protesto contra as políticas chinesas. Desses, 22 morreram. Além disso, em 26 de março um exilado tibetano de 26 anos se sacrificou e ficou gravemente queimado em Nova Déli antes de uma visita do presidente chinês, Hu Jintao.
Pequim, alarmada diante da ameaça à estabilidade em uma região que fervilha de descontentamento com os controles religiosos e culturais, reagiu com uma série de medidas duras. As autoridades descreveram os autoimoladores como párias e terroristas, culparam a influência perniciosa dos exilados tibetanos e inundaram a região com postos de controle e policiais paramilitares.
Os líderes do Partido Comunista também adotaram um plano de “administração monástica” para controlar mais diretamente a vida religiosa. Como parte desse plano, 21 mil membros do partido foram enviados para comunidades tibetanas com o objetivo de “fazer amizade” com os monges —e armar dossiês sobre cada um deles. Os religiosos submissos são recompensados com tratamentos de saúde, aposentadorias e televisores; os recalcitrantes são expulsos dos mosteiros.
(...)Estudiosos tibetanos e exilados dizem que a atual campanha de resistência é diferente de tudo o que já se viu. A tática —suicídios públicos entre chamas— comoveu profundamente os tibetanos comuns e atemorizou as autoridades chinesas. Igualmente significativo, é que os manifestantes são na maioria jovens —quase todos tinham menos de 30 anos de idade.
(...)Muitos monges tibetanos não conseguem obter passaportes e dizem que os chineses da etnia han, que superam em muito o número de tibetanos na região, os tratam com desprezo. "Não podemos sequer falar à vontade ao telefone porque a polícia está escutando”, disse um homem de 39 anos. Ele descreveu como a polícia invadiu o complexo do mosteiro tarde da noite e prendeu pelo menos 180 monges.
Eles foram libertados mais tarde, mas Labrang, um dos mais importantes centros do budismo tibetano, mudou. Câmeras de vigilância estão penduradas nos tetos de templos sagrados e policiais à paisana se misturam aos fiéis. “Eles não nos enganam, porque seguram o terço com a mão direita e todo tibetano sabe que deve segurá-lo com a esquerda”, disse um monge. "
Banheiro de "ledies" em Lumbini(Nepal): Bom dia, a senhora pretende fazer o número 2? São cinco rúpias.
Em Dharamsala, na entrada do templo do Dalai Lama.
A foto foi tirada em Dharamsala, mas o aviso aparece na traseira dos caminhões por toda a Índia: Use a buzina - e ainda mais forte à noite! ("dipper").
No aeroporto de Bodh Gaya (Índia), o gerente é bem espiritual.
Nas Cavernas de Ellora: o risco é seu! Depois não diga que não alertamos.
No banheiro, em Rishikesh. Don't be mean, enxuga!
Em Rishikesh - Desesperado por um ashram? Também em Rishikesh, um conselho: "Pense como um gênio; trabalhe como um gigante; viva como um santo". Hari OM :) Em Varanasi, na entrada do templo de Shiva. O importante é pedir com jeitinho. Estação de trem em Varanasi (Índia).
Com a ida a Lumbini (Nepal), nesta manha, a minha peregrinacao pelos locais sagrados budistas. Uhuuu! Eis o local de nascimento de Buddha.
Depois conto mais, hoje estou com diarreia puro liquido. Intimidade em pleno blog aberto para o mundo internetico ha ha ha
"Aprender o caminho de Buddha eh aprender sobre si mesmo. Aprender sobre si mesmo eh esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo eh ser iluminado por tudo que existe no mundo. Ser iluminado por tudo o que existe no mundo eh deixar-se quedar no proprio corpo e na propria mente" Ensinamento zen-budista. Lindo, nao?
Em Bodh Gaya estou tendo a oportunidade linda de trabalhar como voluntaria na setima edicao do International Tipitaka Chanting Council - cerimonia que reune mais de 1.000 monges Theravada de nove paises: Nepal, Laos, Bangladesh, Cambodia, India, Tailandia e Sri Lanka.
O evento eh organizado pela Light of Buddhadharma Foundation International, uma das entidades dirigidas pelo lama tibetano Tarthang Tulku. Ja estou ha oito dias por aqui e permaneco ateh 12 de dezembro, quando sigo para o Nepal. Comeco a me despedir dos indianos, um tanto quanto alegre em partir.
Tive coragem de experimentar o docinho de leite e acucar da velhinha e era incrivelmente gostoso! Vi o amanhecer numa viagem de barco com bastante nevoa pelo Ganges. O indiano mergulha e bebe a agua. Prefiro colocar velas e flores - e fazer um pedido. Let's make a wish... Lavacao de roupa. Para secar, estendem no varal, na calcada, no chao... Dificil... Vista do restaurante da pousada para o crematorio de corpos.
Interessante que, no outro dia, vi um cadaver estendido na rua, sem cerimonia, sem ninguem ao redor, enrolado em um cobertor. Como era cedinho e havia outras pessoas dormindo na calcada, levei um tempo para constatar que era um defunto. O que diferenciava aquele morto dos vivos era a quantidade extra de moscas.
Primeiro sermao de Buddha Shakyamuni apos atingir a Iluminacao. Esta eh a stupa (relicario) que ergueram para homenagea-lo. Estudantes, lindas, querem a minha atencao. "Helloooo, where are you from?" Essa eh a minha praia ;) Oferendas de lotus... Viajando de rickshaw com Bel(uga).
On the road, enjoying the prime of my chuchuzinha's life ;-)